"Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?" (Lucas, 43)
 
       
 
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31/01/2013
HOMILIA NA MISSA DOS 84 ANOS DA DIOCESE DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
+ Dom Tomé Ferreira da Silva - Bispo Diocesano de São José do Rio Preto - SP.
 
Na festa da conversão do Apóstolo São Paulo, neste ano de 2013, agradecemos a Deus os 84 anos de criação da Diocese de São José do Rio Preto, a nossa Diocese, onde Deus Pai nos quer como filhos e filhas queridos, reunindo-nos no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, integrando-nos no seu Povo, fazendo-nos pedras vivas constitutivas de sua Igreja, permitindo-nos ser membros do Corpo Místico de seu Filho Bem Amado.
 
Razões outras, ao menos quatro, estão presentes no nosso coração nesta Eucaristia: vivemos o Ano da Fé; encerramos o ano pastoral de nossa Diocese, com destaque para a Eucaristia; encontramo-nos a elaborar o novo plano com as orientações pastorais; há um clamor para dirigirmos o olhar e o coração para a juventude, pois vivemos um tempo de graça para ela.
 
Na leitura dos Atos dos Apóstolos, ouvimos de São Paulo a narrativa de sua conversão no caminho de Damasco. Quando ia ao encontro dos cristãos para trazê-los prisioneiros a Jerusalém, encontra-se com Nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado. Envolto por uma luz, é interrogado: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Diante do maravilhoso, numinoso e desconhecido, ele também interroga: “Quem és tu, Senhor?”. Então o Mestre se lhe apresenta: “Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem persegues.”
 
Por pior que seja a pessoa humana, ainda que seja um crápula, ninguém sai ileso do encontro pessoal com Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é capaz de resgatar todas as pessoas, independentemente de sua situação, e restaurar todas as coisas. “Cristo é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que Ele vive para sempre para interceder por eles.”(Hb 7,25).
 
Propor Nosso Senhor Jesus Cristo às pessoas de nosso tempo, no território de nossa Diocese de São José do Rio Preto, conduzi-las a Ele, é o primeiro e maior bem, senão o único, que podemos fazer às nossas sociedades, cidades, bem como à humanidade, ao mundo e à história. Nenhuma missão na Igreja antecede ou supera esta: levar as pessoas ao encontro pessoal com Nosso Senhor Jesus Cristo. O restante da vida de fé e eclesial é decorrência natural deste encantamento e fascínio inicial experimentado pelo fiel diante do Divino Salvador.
 
Programáticas são as palavras que Ananias dirige a Saulo: “Saulo, meu irmão, recobra a vista. (...) O Deus de nossos pais te predestinou para conheceres a tua vontade, veres o Justo e ouvires a voz saída de sua boca; pois deves ser sua testemunha diante de todos os homens do que viste e ouviste. Por que retardar ainda? Vamos! Recebe o batismo e purifica-te de teus pecados, invocando o seu nome.”
 
A solicitação outrora feita a Saulo por Ananias é um clamor do Espírito Santo a cada um de nós e à Igreja: “Recobra a vista! (...) você foi predestinado e conhece a Vontade de Deus; você viu Jesus Cristo; você ouviu a palavra saída de sua boca. (...) Deve ser sua testemunha diante de todos os homens do que viste e ouviste. (...) Não tarde mais!” Este não é um pedido gentil sugerido em sussurro à Igreja, mas um clamor, um grito, um brado do Divino Espírito Santo! Até quando permaneceremos insensíveis e surdos a este clamor?
 
A solicitação de Ananias a Saulo, que é o clamor do Divino Espírito Santo a mim, a você e a nós, é a tradução do testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo que ouvimos no evangelho nesta noite: “Ide por todo o mundo, proclamai o evangelho a toda criatura.” Todos, em todos os tempos, de todos os lugares, são destinatários da missão confiada pelo Divino Salvador a nós que somos o seu povo: ir por todo o mundo, ao encontro de toda criatura.
 
Quantas pessoas, milhares certamente, quantos lugares, centenas com certeza, em nossa diocese estão a esperar de nós para que venham a conhecer, ou conhecer adequadamente, a Jesus Cristo Nosso Senhor. Onde houver uma casa, onde estiver uma pessoa humana, aí e a ela devemos ir para conduzi-las ao Sumo e Eterno Sacerdote. Não estamos mais para pescar com redes ou tarrafas, mas com vara. Não importa o lugar, não importa o número, os confins da nossa diocese e de nossas paróquias são espaços de evangelização, onde houver uma alma, a ela deve ser oferecido Jesus Cristo, nosso Esposo, salvação de Deus para a humanidade.
 
Se fechamos ou abandonamos uma Igreja, uma comunidade ou um grupo, se menosprezamos um fiel que seja, se deixamos ao léu qualquer expressão de vida eclesial, ainda que seja de apenas duas pessoas, responderemos pelas nossas atitudes no dia do juízo particular e final. Prestaremos conta do zelo negado para com as ovelhas perdidas e feridas, pelo abandono ou fechamento de qualquer comunidade ou expressão de vida eclesial, seja ela grande ou pequena, minúscula ou maiúscula, desta ou daquela corrente teológico-pastoral. Todos são filhos e filhas de Deus. Todas são expressões de vida eclesial suscitadas pelo Divino Espírito Santo.
 
Diante de Deus responderemos pela singularidade de cada pessoa colocada sob os nossos cuidados. Um fiel ausente da Igreja, um fiel que deixe de vir à Igreja, deve suscitar em nós profundas preocupações e suscitar zeloso ardor missionário. Não posso esperá-lo, sou eu que devo ir buscá-lo, resgatá-lo, incluí-lo. Não fechamos igrejas e comunidades, abrimos igrejas e comunidades. Não abandonamos ou menosprezamos pessoas, somos pescadores de pessoas para Nosso Senhor Jesus Cristo, construtores do Povo de Deus, nela introduzindo novos fiéis.
 
A ação missionária tem por fim suscitar a fé e batizar, com tudo o que isso implica: “Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado.”
 
O crente e o missionário não estarão sozinhos, têm garantias: “Estes são os sinais que acompanharão aos que tiverem crido: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes, e se beberem algum veneno mortífero, nada sofrerão; imporão as mãos sobre os enfermos, e estes ficarão curados.” O Divino Espírito Santo é que suscita e sustenta a missão. De nossa parte é preciso confiar e se entregar, fazer menos perguntas e agir com mais celeridade.
 
A fé leva à missão e a missão leva à fé. São duas realidades intimamente conexas e inseparáveis. A fragilidade da fé se traduz na fragilidade da missão; a medida e a intensidade da missão é a medida e a intensidade da fé. Se a crise assola a vivência e a transmissão da fé é porque em crise está a missão. Se a missão encontra dificuldades para ser assumida com ousadia, é porque nossa fé também não está sendo abraçada com coração aberto e generoso.
 
É a Eucaristia, com as duas mesas, a da Palavra e a do Corpo e Sangue do Senhor, o alimento para a fé e a missão. Sem a Eucaristia não há fé que se sustente e missão que prossiga. Sem fé não há Eucaristia profícua e missão que produza frutos. Sem missão não se transmite a fé e a Eucaristia.
 
Nossas paróquias, capelas, comunidades, colégios católicos, casas religiosas e outros espaços de culto precisam, com urgência inadiável, voltarem à celebração diária da Eucaristia, em horários convenientes e adaptados à realidade de nossos fiéis. Portas das igrejas fechadas, altares sem uso, são um valioso contributo e porta aberta para a ação do maligno no mundo e na história. Os que respondemos por estes fatos, um dia prestaremos contas diante de Deus pelo bem que deixamos de fazer privando as pessoas da salvação de Deus.
 
O pequeno número de fiéis e a ausência de equipes de celebração em número conveniente não se constituem em motivos suficientes que justifiquem a não celebração diária da Santa Missa. Nenhum bispo, nenhum padre, nenhum conselho paroquial tem o poder ou o direito de limitar e ou suprimir as missas diárias, dominicais e nos dias santificados. Se o fazemos, pecamos gravemente, induzimos ao erro e privamos os fiéis dos bens espirituais necessários à salvação. Se algum conselho paroquial se achou no direito de tais atitudes, deveria ser supresso de imediato, para que não venha a causar mais danos à fé e à missão do que já tenha causado.
 
O ano da fé e a necessidade premente da missão nos chamam à responsabilidade de voltar a celebrar a missa diariamente, também nas famílias, nos condomínios, prédios, escolas, ambientes de trabalho, presídios e congêneres, comunidades rurais e espaços públicos. A missa sempre, em todos os lugares, pois todos os espaços são sagrados, foram purificados pelo sangue redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo, por isso dignos da Eucaristia.
 
Se um bispo ou padre chegasse ao final da jornada diária morto de cansado, mas sem ter celebrado a Santa Missa, nadou em vão, morreu na praia. Um padre e um bispo podem se ocupar ao máximo de trabalhos pastorais e administrativos, mas se estes não nascerem e não levarem à Eucaristia diária, nada feito, soaram como o sino, cujo som se perde no espaço, são nuvens vazias, sem chuva, trabalharam em vão, pois negaram à Igreja o que só eles podem fazer, e o que ninguém pode fazer por eles, dar ao mundo a Eucaristia, o Mistério de Salvação, o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Aos Domingos e nos dias santificados e de festas religiosas de grande apelo popular, como no dia de Nossa Senhora Aparecida e outros, sendo feriado civil ou não, nenhuma paróquia, por menor que seja, deveria ter menos que três celebrações da Santa Missa, propiciando aos fiéis as condições necessárias, em horários oportunos, para se aproximarem da Eucaristia como solicita a Igreja.
 
O mesmo deveria ocorrer no dia do padroeiro das nossas paróquias. Não basta uma só missa “grande e alegre”, é preciso ao menos três, para que todos que o desejarem se aproximem dos sagrados mistérios no modo e horário que mais lhe aprouver.
 
Recomendemo-nos à terna e materna proteção do Coração Imaculado de Maria e de São José, para que avancemos por águas mais profundas, no que diz respeito à fé, à missão e à Eucaristia, sem medo, mas com ousadia, aquela santa ousadia assegurada pelo próprio Divino Espírito Santo.
 
Nossa Igreja é uma Igreja de Ministros Ordenados, sem eles não há missão, não há Eucaristia, não ocorre a guarda, o cultivo e a transmissão da fé. Vamos criar uma cultura vocacional em nossa Diocese de São José do Rio Preto. Precisamos de padres, de muitos padres, de bons padres, padres que sejam homens de fé, padres que vivem da Eucaristia, padres com coração missionário.
 
Cada paróquia, capela, comunidade, movimento, associação religiosa, nova comunidade, pastoral, criativamente busque e encontre meios para suscitar no coração dos jovens o amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e auxiliem para que não tenham medo de responderem sim ao chamado à vida sacerdotal, religiosa e missionária.
 
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos 84 anos de fecunda e bela vida de nossa diocese. Pelos 84 anos de bela e fecunda vida de nossa diocese, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Coração Imaculado de Maria, sede a nossa salvação! São José, rogai por nós!
+ Tomé Ferreira da Silva - Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.
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Obs> Sim coerente, bem colocada, mas na minha parca inteligência eu faria dois adendos. Primeiro, colocar Dom, diante do nome Tomé, porque é esta palavra que lhe dá a dignidade de príncipe da Igreja. Segundo, as colocações e a perfeita insistência na Sagrada Eucaristia, como centro e vida da Igreja e das almas são sem dúvidas perfeitas, mas lhes falta um antecedente primordial: o Sacramento da Reconciliação, a Confissão Sacramental a um sacerdote, não mencionada como um pré-requisito essencial para receber Jesus Eucaristia.
 
A juventude, antes de tudo, deve ser levada a compreender que foi enganada pelo inimigo, e lhe segue os passos como cordeiros cegos. Sim, cordeiros, e cegos! Mas, sem dúvida alguma, no dia em que esta mesma juventude perceber que foi enganada, que tatuagens, pircings, brincos, cabelos raspados ou estilosos, modismos vulgares e rebeldes são de fato formas de prisão e não de liberdade, aí sim, o inimigo será vencido. E a Igreja reviverá! (Aarão)
 
Parabéns a Dom Tomé, sinal de que a verdadeira Igreja que salva almas, ainda está viva, e sinal de que não morrerá!
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Fonte: “Recados do Aarão” em 30/01/2013.
 
 
 

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