"Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?" (Lucas, 43)
 
       
 
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19/05/2012
A MÃE DO REDENTOR - Texto I
BARTMAN, Bernardo “Teologia Dogmática” Vol. II
 
 Introdução - Devemos absolutamente distringuir a Mãe de Redentor  da pessoa do Redentor, mas não separá-la.
Assim é na Escritura e na doutrina dos Padres, onde quase sempre, quando se fala da Encarnação do Logos, se recorda também, a “Mulher” de quem tomou carne. O Verbo não tomou sua natureza humana mediante uma nova criação e sim mediante uma geração humana. É preciso, portanto, pela íntima necessidade das coisas, que quando se fala da Encarnação, se lembre a Mãe da qual o Verbo teve nascimento terreno. Por esta única razão e somente por esta, há a respeito de Maria uma doutrina teológica, um dogma, ao passo que não o há para os outros santos. Maria tem pessoalmente uma posição objetiva no plano divino da salvação. Pedro, chefe dos Apóstolos, como todo outro Apóstolo, tem com a nossa salvação, não uma relação pessoal, mas uma pura relação de função. Maria, ao invés, pela sua relação pessoal com o Redentor, tem uma importância dogmática: por meio do Filho, a Mãe entra no símbolo – “Nasceu de Maria Virgem”.
Em Cristo os privilégios e as perfeições da humanidade têm a sua razão e a sua fonte na união hipostática; também as grandezas de Maria encontram seu fundamento nesta união e lhe foram concedidos graças a ela. Portanto, colocamos no vértice da Mariologia o privilégio que por primeiro se origina desta união: a Maternidade divina; trataremos depois do que lhe está estritamente ligado, isto é, a virgindade perpétua, e por fim, dos privilégios de graça, da glória e das honras devidas à Mãe de Deus.
“Os protestantes fizeram da guerra a Maria um dos primeiros artigos do seu programa de reforma. A seu modo de ver, o culto católico da Virgem, seria uma superfluidade estranha à Escritura e representaria uma usurpação sacríliga daquela posição que, na economia da salvação, é reservada exclusivamente a Cristo. Sob a influencia do mesmo preconceito, os historiadores incrédulos do dogma vão procurando as origens do culto mariano nas práticas e nas ideias religiosas pagãs. Para todos esses ele seria apenas um produto de uma religiosidade inferior, e por conseguinte fonte de inevitáveis superstições. Na medida que o catolicismo moderno se abandona à mariologia, nega o verdadeiro cristianismo.
Essas acusações nascem do espírito de polêmica e atraem uma deplorável incompreensão. Antes de tudo, exageram propositalmente, a posição relativa em que a Igreja Católica coloca Maria. O número das piedosas práticas de que ela é objeto, embora seja seja grande, só pode enganar os espíritos prevenidos e superficiais. É preciso evitar em tais casos, confundir a extensão com a profundidade. Aqueles que conhecem a vida católica como é, e sobretudo aqueles que a visam, sabem que a devoção mariana é uma corrente derivada, ao passo que Jesus, só Jesus é a fonte primeira e profunda da piedade católica com o ciclo litúrgico de que é o centro e com os Sacramentos, dos quais é autor e termo. Uma tolice como a de I. Taine sobre a trindade moderna, Jesus-Maria-José, que teria suplantado a antiga, vem provar que a excessos a ignorância das coisas pode levar também as mentes superiores. Mas além da importância material do culto mariano dever-se-ia também considerar seu valor formal. Enquanto Filho de Deus feito homem, Jesus ocupa o centro da fé e da vida cristã, ao passo que Maria nela entra somente por suas relações com o Verbo Encarnado. A subordinação de Maria a Jesus torna-se evidentíssima e todos os dogmas marianos. Por que Jesus Cristo é Deus e unicamente por este motivo, Maria é chamada Mãe de Deus; por que Jesus é o princípio de toda graça e santidade, uma parte privilegiada é dada a sua Mãe; porque Jesus é Redentor e por aplicação dos seus méritos, Maria é preservada do pecado original; porque Jesus é o único Medianeiro entre Deus e os homens, Maria é associada à Sua mediação; porque Jesus, como Filho de Deus, feito homem, tem direito ao nosso culto. Maria, recebe-lhe como reflexo, uma participação.
Assim podemos dizer que a Mariologia não tem uma consistência própria: é apenas um prolongamento da Cristologia. É a fé e a piedade cristã proporcionam e encontram em Maria apenas Jesus. Não é isto um paradoxo mas a pura verdade”. Riviere, Marie Dict. des Conn. rel. part. t. IV, Coll.749-750.
“Que significa o nome de Maria ou Miryam? - Para Bardenhewer significa ‘gorda, corpulenta’, termo que no conceito dos originais significam ‘bela, formosa’. Pohle, referindo-se aos antigos, interpreta-o no sentido de ‘forte grande, esbelta’. Outros comentaristas interpretam como ‘Senhora, iluminadora’ ou ainda ‘gota do mar’ (stilla maris) de que é derivado por má interpretação ‘stella maris’ (estrela do mar). Alguém propôs ‘amarga, aflita’ ou ainda ‘aquela que encontrou graça’ Lc 1,30). Ultimamente grimme por: ‘Meu Pai é o Altíssimo’. Veja-se Campana, Maria nel dogma católico, ed.IV pp.960-966.
BARTMAN, Bernardo “Teologia Dogmática” Vol. II, Ed. Paulinas. São Paulo, 1964. pp.172 e 173. 
 
 
 
 

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