"Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?" (Lucas, 43)
 
       
 
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18/01/2015
Por que não sou protestante?
Uma só é a Igreja de Cristo.
 

            

Texto e Vídeo: Paulo Ricardo de Azevedo Junior

É muito comum encontrar pessoas que tiveram a graça de nascer em uma família católica, mas que ainda não fizeram uma opção consciente pela sua fé, achando que tanto faz pertencer à Igreja Católica ou a qualquer outra comunidade cristã, mesmo que seja protestante. São Pedro nos exorta: “Estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir” [1]. Afinal, por que somos católicos, e não protestantes?

Em primeiro lugar, é importante entender como e por que os protestantes se separaram da Igreja. O século XVI foi um período muito difícil, principalmente por conta do fenômeno do “renascimento”, que foi o retorno do paganismo à cultura da Europa. Com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, muitas pessoas que viviam no Oriente vieram para o Ocidente, levando manuscritos não só da filosofia clássica, como também da mitologia grega. Imersos nas histórias e valores da Antiguidade pagã, os homens dessa época - também os da Igreja -, experimentaram um arrefecimento na fé. O clero encontrava dificuldades para viver o celibato e era constantemente agitado por jogos de poder e preocupações políticas.

Os reformadores protestantes, como Martinho Lutero, João Calvino e Ulrich Zwinglio, vendo a triste situação em que se encontravam os homens da Igreja, quiseram empreender uma mudança, mas, no fim, acabaram mutilando a Igreja. Eles tentaram fazer uma reforma prescindindo da fé na Igreja e acabaram criando um dualismo, pelo qual aceitavam a Igreja invisível, mas rejeitavam qualquer instituição visível, que não passaria de criação humana.

É por isso que os protestantes não ficam escandalizados quando um pastor briga com outro e decide fundar outra igreja. Para eles, Jesus veio a este mundo, deixou a sua mensagem, que está na Bíblia, e todos estão entregues à sua própria interpretação das Escrituras. Se não há, como postula a doutrina do livre exame, nenhuma autoridade humana que interprete fielmente a Bíblia, então, todos se tornam autoridades legítimas para interpretá-la; cada crente é o seu próprio Magistério. Assim, a cada intérprete autorizado da Bíblia, abre-se uma nova igreja, sem nenhum escrúpulo. Para entrar em contato com a Igreja invisível - que é a única que existe -, ou eles recorrem aos carismas - como fazem os pentecostais - ou à interpretação livre das Escrituras. As “igrejas visíveis” existem tão somente para que as pessoas congreguem e se ajudem mutuamente, mas nada disso é fundado por Deus, senão pelos homens.

No fim, toda essa doutrina protestante chega a um beco sem saída. Pois, se tudo o que é visível não passa de invenção dos homens, o que dizer das Escrituras que, tendo como autor último o Espírito Santo, têm, no entanto, autores verdadeiramente humanos, de carne e osso? O que dizer das Escrituras, que foram estabelecidas como verdadeiras justamente pela autoridade da Igreja Católica, como diz Santo Agostinho: “Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas - Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica” [2]? Ora, cortar da árvore do Credo a fé na Igreja é serrar o próprio galho em que se está sentado.

Para resolver o seu dilema, os protestantes acabaram se dividindo em duas correntes principais. A primeira, mais tradicional, crê que basta recorrer ao texto literal para se chegar à verdadeira interpretação da Bíblia. A experiência histórica comprova que esse método “realista” não funciona: milhares de protestantes ao redor do mundo interpretam de forma diferente as Escrituras. Para aceitar como verdadeiro o livre exame, ter-se-ia que admitir ou que Deus fala várias coisas divergentes entre si - o que não é possível - ou que todos, mesmo com opiniões contrárias, falam a verdade - o que é igualmente impossível. Por isso, o livre exame é muito difícil de se sustentar.

Alguns teólogos, principalmente a partir do século XIX, vendo a fragilidade dessa doutrina, procederam à investigação histórica e científica das Escrituras, procurando identificar as interpolações, gêneros literários e acréscimos presentes na Bíblia. Ao fazê-lo, porém, esqueceram-se do todo coerente que são as Escrituras e fragmentaram-na em um “mosaico de pequenas teologias”. Olhando de longe para uma redutiva figura de “Jesus histórico”, perderam de vista a fé no Verbo que irrompeu na história dos homens.

Enquanto eles olham para um Jesus distante e pensam que, quanto mais o tempo passa, menos precisos são seus apontamentos, nós, católicos, ao contrário, à medida que o tempo passa, temos cada vez mais certeza de nossa fé. Porque, ainda que os tempos, os lugares e os estilos mudem, uma só é a Palavra que sai da boca dos santos e doutores da Igreja: Jesus. De fato, nós cremos que a Palavra de Deus não é um livro, mas uma pessoa que “se fez carne e veio morar entre nós” [3]. Cremos também que essa realidade da Encarnação continua na Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo [4] e o que garante a interpretação autêntica das Sagradas Escrituras.

Olhando para o organismo vivo da Igreja, para os seus Concílios e Papas, para a vida dos santos e todos os seus ensinamentos, é impossível não dirigir uma imensa ação de graças a Deus, por nos dar a graça de ser como anões no ombro de gigantes. Que alegria é ser católico e saber que não é preciso inventar um novo caminho, mas já existe um, deixado por Cristo e muito bem “pavimentado, iluminado e policiado” pelos santos da Igreja de Deus.

De fato, a verdadeira história da Igreja é feita por esses homens e mulheres que devotaram toda a sua vida à vontade de Deus. Muitos querem estudar a história eclesiástica, mas o fazem a partir das personagens corruptas e pecadoras, que foram justamente as primeiras a trair a Igreja. Ora, qualquer pessoa que se proponha a contar a história da própria família, fá-lo-á narrando os episódios de quem entregou o seu sangue por ela ou contando as histórias dos que a abandonaram? Quem se propõe a conhecer a arquitetura, começa estudando os prédios que caíram ou os que deram certo? Do mesmo modo, não se estuda a história da Igreja senão pela via dos santos e mártires, que entregaram a sua vida por ela [5].

A religião protestante, no entanto, não acredita na santidade. Eles se recusam a crer que um ser humano possa se santificar em vida ou mesmo ser invocado após a sua morte, ignorando que nada, absolutamente, pode nos separar do amor de Cristo [6].

Uma só é a Igreja de Cristo. Não existem várias, apenas uma. Enquanto os próprios protestantes assumem que as congregações a que pertencem são meras fundações humanas, nós, católicos, cremos firmemente que a Igreja Católica é de instituição divina e que nenhuma das fragilidades e dos pecados dos homens pode macular a sua santidade real, concreta e visível nos Sacramentos e na doutrina e na vida de seus santos. E cremos que esse organismo vivo existe e continuará a existir até o fim dos tempos, porque “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” [7].

Referências

1.1 Pd 3, 15

2.Contra Epistulam Manichaei quam vocant fundamenti 5. 6: PL 42, 176. Apud Catecismo da Igreja Católica, 119

3.Jo 1, 14

4.Cf. Jo 15, 5; At 9, 4-6; 1 Cor 12, 12-27

5.É a esse fim que se propõe o curso de História da Igreja medieval, do nosso site. Torne-se já nosso aluno e comece a assistir às aulas.

6.Cf. Rm 8, 35

7.Mt 16, 18

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Fonte: Pe. Paulo Ricardo  em 18/01/2015.

 

 
 
 

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