"Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?" (Lucas, 43)
 
       
 
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18/02/2012
Imitação de Cristo - Livro IV - Capítulo XVII
Do ardente amor e veemente desejo de receber a Cristo
 
  1. Com suma devoção e abrasado amor, com todo o afeto e fervor do coração, desejo receber-vos, Senhor, como muitos santos e pessoas devotas o desejaram, os quais vos agradaram principalmente pela santidade de sua vida e pela ardentíssima devoção que os animava. Ó Deus meu, amor eterno, meu único bem, bem-aventurança interminável! Desejo receber-vos com o mais ardente afeto e a mais digna reverência que jamais sentiu ou pôde sentir santo algum!
  2. E ainda que seja indigno de todos esses sentimentos de devoção, ofereço-vos, todavia, o afeto do meu coração, como se eu só tivera todos aqueles gratíssimos e inflamados desejos. Mas tudo quanto pode conceber e desejar um coração piedoso, eu vo-lo dou e ofereço com profunda reverência e íntimo fervor. Nada quero reservar para mim, mas a mim, e tudo que é meu quero sacrificar-vos espontaneamente, de boa vontade, Senhor, Deus meu, Criador e Redentor meu! desejo receber-vos hoje com tal afeto e reverência, com tal louvor e honra, com tal agradecimento, dignidade e pureza, com tal fé, esperança e amor, como vos desejou e recebeu vossa Mãe Santíssima, a gloriosa Virgem Maria, quando, ao anjo que lhe anunciou o mistério da encarnação, humilde e devotamente respondeu: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra! (Lc 1,38).
  3. E como vosso bem-aventurado precursor João Batista, o mais excelente dos santos, quando ainda estava nas entranhas maternas, exultou de alegria na vossa presença por impulso do Espírito Santo, e vendo-vos, meu Jesus, depois andar entre os homens com profunda humildade e devoto afeto dizia: O amigo do Esposo que está perto dele e o ouve regozija-se ouvindo a voz do Esposo (Jo 3,29); assim também eu quisera ser inflamado de veementes e santos desejos e entregar-me a vós de todo o meu coração. Por isso vos ofereço o júbilo de todas as almas devotas, seus abrasados afetos de amor, os êxtases de seu espírito, suas iluminações sobrenaturais e visões celestiais, e vo-las apresento com todas as virtudes e louvores que vos tributaram ou hão de tributar todas as criaturas do céu e na terra, por mim e por todos os que se recomendaram às minhas orações, para que sejais por todos dignamente louvado e para sempre glorificado.
  4. Aceitai, Senhor, Deus meu, os votos e desejos de infinitos louvores e imensas ações de graças, que vos são justamente devidas, segundo a vossa inefável grandeza. Isso vos ofereço, e desejo oferecer cada dia e a cada momento, e convido com minhas súplicas e rogos todos os espíritos celestes e todos os vossos fiéis a vos agradecerem comigo e louvarem.
  5. Louvem-vos todos os povos, tribos e línguas; com suma alegria e ardente devoção glorifiquem o vosso santo e dulcíssimo nome. E todos aqueles que com devoção e reverência consagram vosso augusto Sacramento e com viva fé o recebem, mereçam achar graça e misericórdia diante de vós e peçam a Deus humildemente por mim, pecador. E quando tiverem conseguido e desejada devoção e o gozo da união convosco e voltarem da mesa sagrada, consolados e maravilhosamente recreados, dignem-se lembrar-se também deste pobre.

Tomás de Kempis - 1380 - 1471

 
 
 

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