NOVÍSSIMOS:
Os novíssimos são ligados aos destinos finais do homem: morte, juízo, inferno ou paraíso. É muito importante conhecer a posição da Igreja sobre estes temas, para não confundir, por exemplo, o final dos tempos que estamos agora vivendo, com o fim do mundo que ninguém sabe quando acontecerá.
De fato, no dia do Juízo Final, acontecerá também o final deste mundo em quem vivemos, mundo maus e cheio de corrupção, para dar lugar ao Reino de Jesus, os Novos Céus nova Terra, onde viverão apenas os santos.
E não se trata de outra terra, mas desta que será totalmente renovada, num novo mundo. O planeta terra não será tão logo exterminado por Deus, mas com certeza, até isso um dia acabará. Mas como Jesus falou: o dia só o Pai sabe.
A matéria que segue foi compilada por Décio Antônio Paganini.
1. A MORTE E SUA ORIGEM
A morte, na atual ordem de salvação, é conseqüência primitiva do pecado.
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), ensina:
Ainda que o homem seja mortal por natureza, já que seu ser é composto de partes distintas, por revelação sabemos que Deus dotou o homem, no paraíso, do Dom pré-natural da imortalidade do corpo. Mas por castigo, ao quebrar a ordem Divina, ficou condenado a morrer.
Sagradas Escrituras:
2. O CÉU (PARAÍSO)
As almas dos justos que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado entram no céu. Benedito XII (1334-1342), pela Constituição "Benedictus Deus", de 29 de Janeiro de 1336, proclama:
Também o Símbolo apostólico declara: "Creio na vida eterna" (Dz. 6 e 9).
Sagradas Escrituras:
Os atos que integram a felicidade celestial são de entendimento, e este por um Dom sobrenatural "lumen gloriae" é capacitado para o ato da visão de Deus (Sl 35,10; Ap 22,5) de amor e gozo.
3. O INFERNO
As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao inferno. Benedito XII (1334-1342), na Constituição "Benedictus Deus", de 29.01.1336, declara:
O inferno é um lugar de eterno sofrimento onde se acham as almas dos réprobos. Negam a existência do inferno aqueles que não acreditam na imortalidade pessoal (materialismo).
Sagradas Escrituras:
Jesus ameaça com o castigo do inferno: "Se teu olho direito é causa de pecado, retira-o e afasta-o de ti; muito mais te convém que percas um de teus membros do que tenhas todo o corpo jogado na geena..." (Mt 5,29).
São Justino, funda o castigo do inferno na idéia da Justiça Divina, a qual não pode deixar impune aos transgressores da Lei.
4. O PURGATÓRIO
As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao purgatório. O purgatório é estado de purificação. O II Concílio de Leão (1274), sob Gregório X (1271-1276), afirma:
"As almas que partiram deste mundo em caridade com Deus, com verdadeiro arrependimento de seus pecados, antes de ter satisfeito com verdadeiros frutos de penitência por seus pecados de atos e omissão, são purificadas depois da morte com as penas do purgatório..." (Dz. 464).
Sagradas Escrituras:
Ensinam indiretamente a existência do purgatório concedendo a possibilidade da purificação na vida futura.
Para São Gregório Magno, esta última frase indica que as culpas podem ser perdoadas neste mundo e também no futuro. A existência do Purgatório se prova especulativamente pela Santidade e Justiça de Deus. Esta exige que apenas as almas completamente purificada sejam exibidas no céu; Sua Justiça reclama que sejam pagos os restos de penas pendentes, e por outro lado, proíbe que as almas unidas em caridade com Deus, sejam atiradas ao inferno. Por isso se admite um estado intermediário que purifique e de duração limitada.
5. O FIM DO MUNDO E A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
No fim do mundo, Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os homens. O Símbolo Niceno-Constantinopolitano, aprovado pelo I Concílio de Constantinopla (381), sob São Dâmaso (366-384), declara:
Sagradas Escrituras:
Sinais precursores da segunda vinda:
6. A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS NO ÚLTIMO DIA
É declarado pelo Símbolo "Quicumque" (chamado também "Atanasiano"). De fato, este símbolo alcançou tanta autoridade na Igreja, ocidental como oriental, que entrou no uso litúrgico e deve ser tida por verdadeira a definição de fé:
Também o Símbolo Apostólico confessa: "creio ... na ressurreição da carne..."
Sagradas Escrituras:
A razão iluminada pela fé prova a conveniência da ressurreição:
7. O JUÍZO UNIVERSAL
Cristo, depois de seu retorno, julgará a todos os homens. É o que expressa o Símbolo "Quicumque":
Sagradas Escrituras:
Observações de Arnaldo:
Há uma grande controvérsia relacionada ao 2º Advento, o fim dos tempos e o Juízo Universal. Discorrer sobre esta matéria é entrar em um caminho espinhoso, que tem milhares de intérpretes, de posições inarredáveis, e por isso de imensas confusões.
É que algumas pessoas dizem que depois do Juízo final virá o fim da terra, o que não pode ser correto, pois onde ficaria a promessa de Deus dos “Novos Céus e Nova terra” (Is 65)? Deus teria falhado redondamente em seu projeto para o homem, se não lhe desse a chance de reconquistar o paraíso, também aqui na terra.
Todo nosso trabalho voltado para as almas e a salvação eterna, tem sido agraciado com um número muito grande revelações e baseado nelas, nós podemos afirmar com bastante precisão e segurança:
1 – Haverá proximamente esta Segunda Vinda de Jesus agora na glória;
2 – Jesus virá como Juiz, para o Juízo Universal e final, de todas as pessoas, vivas e falecidas. Então acontecerá assim:
A – Todas as pessoas já falecidas irão receber seus corpos, estejam onde estiverem, no céu ou no inferno.
A1 - Os bons receberão corpos glorificados e esplendorosos, de acordo com a sua graça.
A2 - Os que estão no inferno receberão corpos putrefatos, de acordo com seu pecado. Ambos já tinham o seu destino traçado, eterno, e não haverá mais mudança de condição. Disso se deduz que ambos estavam já nos locais eternos, mas sem seus corpos, somente em espírito, embora no céu já tenhamos muitos glorificados, com seus corpos.
B – Entre os vivos naquele dia, haverá duas condições distintas:
B1 – Os que estiverem em estado de graça, receberão naquele momento seu corpo de carne espiritualizada, para iniciarem, felizes, Os Novos Céus, Nova terra.
B2 – Os que ainda estiverem em pecado, não receberão imediatamente seu corpo perfeito, mas deverão pagar ainda na terra, pelas suas faltas, e somente depois de purificados, também eles receberão seus corpos glorificados, para viverem a felicidade ainda aqui.
Naturalmente que o Purgatório será extinto naquele dia do Juízo, e não haverá mais outro juízo adiante, porque as pessoas que habitarem a terra, como seus corpos santos e puros, não mais pecarão gravemente – só pequenas imperfeições – imediatamente corrigidas. Não há lógica então em novo julgamento, nem mesmo particular, porque serão santos perfeitos e a não haverá mais morte, apenas passagem desta para outra vida.
Deixamos para meditar o texto de São Paulo aos Coríntios, em 1 Cor15:
50 O que afirmo, irmãos, é que nem a carne nem o sangue podem participar do Reino de Deus; e que a corrupção não participará da incorruptibilidade. 51 Eis que vos revelo um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, 52 num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará). Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. 53 É necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista da imortalidade. 54 Quando este corpo corruptível estiver revestido da incorruptibilidade, e quando este corpo mortal estiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: 55 A morte foi tragada pela vitória (Is 25,8). Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão (Os 13,14)? 56 Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
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